A Ética é por vezes confundida com a Moral. A fim de evitar uma longa exposição sobre esse assunto tão abstruso, pensemos a Ética apenas como um “mandamento”, um imperativo que nos obriga a agir da melhor maneira possível, objetivando viver da melhor maneira possível. E essa “ordem” tem que valer para todos os Homens, em qualquer lugar, em qualquer tempo. Prova disso é o fato de que nenhum Homem comete um mal a si mesmo, e quando aparentemente o faz, é por que vê um bem nisso. A Ética é universal.
Nossos problemas começam quando tentamos adequar a leitura que fazemos da realidade à ordem “viva bem” dada pela Ética, pois, essa determinada leitura (que varia conforme a cultura, o periodo histórico etc.) diz o seguinte: “sê assim, se quer viver bem”. A diferença que há entre o “sê assim” de uma determinada sociedade e o “sê assim” de outra, fundamenta o conflito. Isso é da ordem da Moral, que é local, histórica e fugaz. No entanto, nossas ações são mediadas por concepções morais, que são baseadas em leituras passageiras, e que sempre deixam a impressão de que podemos melhorar ou mesmo mudar completamente nossas certezas quando entendemos que nos distanciamos do horizonte ético. Em suma, nossas ações são regradas pela contradição que há entre o que aceitamos moralmente e o que é eticamente aceitável.
Fora do ambiente acadêmico há um modismo vigente que tenta atrelar a palavra “Ética” a funções específicas. Fala-se, erroneamente, em ética disso e daquilo. Ética na educação, no direito, na imprensa etc. Apesar do erro conceitual que há nessa tentativa, que, inclusive, colabora para a má compreensão do caráter universal do termo, entende-se a necessidade de se criar um código de conduta (uma Moralidade) para cada uma das ações especializadas na sociedade a fim de possibilitar, em sua execução, o alcance do horizonte ético que se faz preciso. No jornalismo, por exemplo, há um código. Ele ordena logo em seu primeiro capítulo:
“a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ou diretores.”
Cap. I, Art 2°, I
Prezar pela informação precisa e corretaé necessário em razão de que o jornalismo se fez envolto de uma credibilidade muito forte, produto de anos de trabalho levando a informação sobre os fatos da maneira mais imparcial possível. Ofender a esta norma exclui a necessidade de existir um veículo de informação com tamanha responsabilidade, pois o fato em si deixaria de ser importante, valendo apenas a intenção de quem escreve a matéria. Nunca deve ser esquecido que “a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público” (Cap. I, Art 2°, II).
Já denunciamos aqui no Circo da Imprensaa publicação de matérias que tratam do mesmo assunto, porém, exibindo fatos diferentes, por diferentes jornais. Já demonstramos como alguns jornais locais utilizam-se de Releasese matérias copiadas da Internetsem dar crédito à fonte. Já mostramos também como alguns jornais extrapolam sua função e emitem juízos de valor que contribuem para a deturpação do fato dado, e, principalmente, já demonstramos inúmeras vezes como outros tratam a língua portuguesa. O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros afirma sobre a responsabilidade profissional do jornalista que ele deve:
“PRESERVAR A LÍNGUA E A CULTURA DO BRASIL, respeitando a diversidade e as identidades culturais”
Cap III, Art 12°, VIII.
Em visita ao siteda Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) – http://www.fenaj.org.br/- pode-se “clicar” no link do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros e cotejar o que é dito ali com o que é publicado aqui. Uma vez realizado este exercício, ficará claro que o Circo da Imprensa, apesar de permeado por certo humor (duvidoso, admito), tem como objeto de suas postagens algo muito sério. Uma seriedade que encontra a sua razão quando nos lembramos da universalidade da Ética, pois, se ela vale para todos, em qualquer situação, e a maneira que dispomos para alcançá-la se dá através da elaboração e cumprimento de códigos morais, desrespeitá-los significa eliminar a possibilidade de que a ação específica adotada pela sociedade, no caso, o jornalismo, efetive a sua razão de ser e contribui para que ela acabe se transformando em uma prática que mais prejudica do que beneficia a sociedade que a mantém.
Obviamente, problemas dessa ordem não acontecem apenas em Araucária. No entanto, é aqui que vivemos…
Por Alexandre Lima Costa Ferreira.
1 Agosto, 2008 às 7:40 pm |
Zzz… hein?
Não, não, brincadeira. O texto é longo mas deixa o assunto bem claro.
Resta saber se aqueles que escrevem matérias tão curtas terão paciência para ler e adotar seus apontamentos para o bem comum e não pelo interesse de poucos.