Observando superficialmente a capa dos dois maiores periódicos da cidade em suas respectivas edições de sexta-feira, temos a impressão de que são absolutamente iguais em violência e sensacionalismo. Entretanto, possuem suas ligeiras diferenças.

É importante ressaltar, antes de tudo, que explorar a morte em manchetes não se assemelha em nada com a prática de bom jornalismo. A imprensa séria e digna não coloca fotos estouradas de cadáveres em capa, tanto por bom gosto quanto por respeito aos familiares do falecido, salvo exceções de supra importância, como um atentado de grandes proporções ou de grande comoção local, ainda assim, justificados somente diante da ótica de extrema necessidade de debate e discussão. Não por motivos exibicionistas.

A abordagem dos periódicos da cidade diante da criminalidade semanal em alta foi bem curiosa. Enquanto O Popular do Paraná buscou o espetacular, o escabroso e grandiloqüente, O Correio de Araucária pautou-se por uma análise dos fatores envolvidos e suas respectivas condições sociais, apesar de executar o trabalho de maneira canhestra. O Popular do Paraná é o rei da exploração imediata da tragédia. E todos sabem que isso não irá mudar. O Correio de Araucária está procurando seu caminho. O tempo dirá se a análise do Correio (menos pior do que o concorrente) não foi meramente oportunista. E se O Popular resistirá à banalização da violência.

Por Daniel Zanella.