Uma Questão De Comprometimento Quinta-feira, Jul 31 2008 

A Ética é por vezes confundida com a Moral. A fim de evitar uma longa exposição sobre esse assunto tão abstruso, pensemos a Ética apenas como um “mandamento”, um imperativo que nos obriga a agir da melhor maneira possível, objetivando viver da melhor maneira possível. E essa “ordem” tem que valer para todos os Homens, em qualquer lugar, em qualquer tempo. Prova disso é o fato de que nenhum Homem comete um mal a si mesmo, e quando aparentemente o faz, é por que vê um bem nisso. A Ética é universal.

Nossos problemas começam quando tentamos adequar a leitura que fazemos da realidade à ordem “viva bem” dada pela Ética, pois, essa determinada leitura (que varia conforme a cultura, o periodo histórico etc.) diz o seguinte: “sê assim, se quer viver bem”. A diferença que há entre o “sê assim” de uma determinada sociedade e o “sê assim” de outra, fundamenta o conflito. Isso é da ordem da Moral, que é local, histórica e fugaz. No entanto, nossas ações são mediadas por concepções morais, que são baseadas em leituras passageiras, e que sempre deixam a impressão de que podemos melhorar ou mesmo mudar completamente nossas certezas quando entendemos que nos distanciamos do horizonte ético. Em suma, nossas ações são regradas pela contradição que há entre o que aceitamos moralmente e o que é eticamente aceitável.

Fora do ambiente acadêmico há um modismo vigente que tenta atrelar a palavra “Ética” a funções específicas. Fala-se, erroneamente, em ética disso e daquilo. Ética na educação, no direito, na imprensa etc. Apesar do erro conceitual que há nessa tentativa, que, inclusive, colabora para a má compreensão do caráter universal do termo, entende-se a necessidade de se criar um código de conduta (uma Moralidade) para cada uma das ações especializadas na sociedade a fim de possibilitar, em sua execução, o alcance do horizonte ético que se faz preciso. No jornalismo, por exemplo, há um código. Ele ordena logo em seu primeiro capítulo:

a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ou diretores.

Cap. I, Art 2°, I

 

Prezar pela informação precisa e corretaé necessário em razão de que o jornalismo se fez envolto de uma credibilidade muito forte, produto de anos de trabalho levando a informação sobre os fatos da maneira mais imparcial possível. Ofender a esta norma exclui a necessidade de existir um veículo de informação com tamanha responsabilidade, pois o fato em si deixaria de ser importante, valendo apenas a intenção de quem escreve a matéria. Nunca deve ser esquecido que a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público” (Cap. I, Art 2°, II).

Já denunciamos aqui no Circo da Imprensaa publicação de matérias que tratam do mesmo assunto, porém, exibindo fatos diferentes, por diferentes jornais. Já demonstramos como alguns jornais locais utilizam-se de Releasese matérias copiadas da Internetsem dar crédito à fonte. Já mostramos também como alguns jornais extrapolam sua função e emitem juízos de valor que contribuem para a deturpação do fato dado, e, principalmente, já demonstramos inúmeras vezes como outros tratam a língua portuguesa. O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros afirma sobre a responsabilidade profissional do jornalista que ele deve:

PRESERVAR A LÍNGUA E A CULTURA DO BRASIL, respeitando a diversidade e as identidades culturais

Cap III, Art 12°, VIII.

Em visita ao siteda Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) – http://www.fenaj.org.br/- pode-se “clicar” no link do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros e cotejar o que é dito ali com o que é publicado aqui. Uma vez realizado este exercício, ficará claro que o Circo da Imprensa, apesar de permeado por certo humor (duvidoso, admito), tem como objeto de suas postagens algo muito sério. Uma seriedade que encontra a sua razão quando nos lembramos da universalidade da Ética, pois, se ela vale para todos, em qualquer situação, e a maneira que dispomos para alcançá-la se dá através da elaboração e cumprimento de códigos morais, desrespeitá-los significa eliminar a possibilidade de que a ação específica adotada pela sociedade, no caso, o jornalismo, efetive a sua razão de ser e contribui para que ela acabe se transformando em uma prática que mais prejudica do que beneficia a sociedade que a mantém.

Obviamente, problemas dessa ordem não acontecem apenas em Araucária. No entanto, é aqui que vivemos…

Por Alexandre Lima Costa Ferreira.

Quem Avisa Amigo É… Quarta-feira, Jul 30 2008 

Imagino que essa coluna é escrita em cinco minutos. De onde saem tantos lugares-comuns? Só para queimar o filme mesmo. É bom ressaltar que a pressa é inimiga da perfeição, mas o que fazer? Quem não tem cão caça com gato.

É um texto falado, até parece letra de funk: “Tá todo mundo bem bonito na foto, EU DISSE na foto.” EU DISSE: ado, aado, cada um no seu quadrado. Ou então propaganda da Ótica Ponto de Visão: “Na compra do óculos X, você leva Y de graça, EU DISSE, de graça.”.

O jeito é se virar nos trinta prá não ficar restando à noite. Que bonito… O Correio de Araucária neologizando. Pessoas saem à noite, estudam à noite, mas não restam à noite. O correto seria: resta-lhe a noite, sem crase.

Enfim, a cavalo dado não se olha os dentes.

Por Angeline Suellen Pires

Águas Turvas Terça-feira, Jul 29 2008 

O editorial é a seção comumente utilizada nos meios de comunicação impressos para transparecer suas posições ideológicas diante do noticiário. O Correio de Araucária, entretanto, prefere uma visão mais livre do conceito de editorial dos manuais de redação. O jornal transforma o espaço em um acúmulo de mensagens cifradas ao estilo das notas políticas de sua seção caseira – vide também o post Serpenteando, em que a estranheza do texto é evidente. É normal acusar o Projeto Circo da Imprensa de ser uma perda de tempo de efeito colateral – mais destrói do que constrói – e de utilizar palavrório inadequado em suas críticas habituais. Porém, pior do que a limitação diária de discussão jornalística do blog em uma cidade como Araucária, é a função assumida pelos jornais locais, que gastam o tempo do leitor com textos que nem meia-dúzia entendem.

Por Sandi Luiz Bartnik Godinho e Daniel Zanella

Papel de Feira Terça-feira, Jul 29 2008 

Causou certa (e grata) surpresa um qualificado artigo sobre o papel da crítica e dos jornais no processo de questionamento da informação, publicado no Correio de Araucária dessa inóspita terça-feira. Apesar de se configurar como incongruente diante das posturas adotadas pelo periódico, lança uma inusual luz nas discussões acerca da imprensa araucariense. O músico Oswaldo Montenegro chegou a dizer em entrevista célebre que só se passa a existir a partir do momento em que alguém lhe critica. “É importante que saibamos que não somos tão bons quanto os que nos elogiam e nem tão ruins quanto os que nos criticam”.

De elogios e marketing, a imprensa local já está saturada.

Por Daniel Zanella

Tijolo Na Vidraça Terça-feira, Jul 29 2008 

“A idéia de expor publicamente deficiências e vulnerabilidades parece ainda impensável no jornalismo brasileiro. Transparência, nas redações, é conceito que se cobra mas não se aplica. Erros, e há muitos também nesses veículos, são raramente admitidos. A maioria vai para debaixo do tapete da arrogância que ainda reveste as redações. O leitor que se arranje.
Os jornalistas não são obrigados a aceitar as opiniões de leitores, nem as dos ombudsmans.. Jornais e jornalistas raramente são personagens do noticiário e, assim, não sentem em si mesmos o quanto se distorce no dia-a-dia da imprensa.”

Junia Nogueira de Sá, ex-ombudsman da Folha de S.Paulo

Por Daniel Zanella

Expediente… Segunda-feira, Jul 28 2008 

Nossa, como eles são sistemáticos.

Está bem, eu sei que é um erinho bobo.

Por Angeline Suellen Pires.

Palavras, Palavras, Palavras Segunda-feira, Jul 28 2008 

Se escreve muito mal nessas paragens. A imprensa de Araucária maltrata o português escrito, violenta as normas gramaticais e se configura num atentado às boas normas de comunicação. Pode até parecer exagero, mas, pense leitor, se nem à sua ferramenta básica, a língua materna, os jornalistas locais dão valor e se dignificam a tratar bem, imagine com que escrúpulos tratam a mercadoria que vendem, a informação?

 

Abaixo, dois trechos da literatura jornalística vigente:

 

Por Daniel Zanella

Parábens! Segunda-feira, Jul 28 2008 

Só pelo nome da Coluna já dá para imaginar o que vem pela frente…

É “O Marco Zero de Araucária” fazendo escola: Mas Ou Menos.

Por Angeline Suellen Pires

De Volta Para O Futuro Segunda-feira, Jul 28 2008 

Isso sim é que é apostar na equipe.

Por Sandi Luiz Bartnik Godinho.

A Verdade Nos Libertará… Sexta-Feira, Jul 25 2008 

O jornalismo se referencia na veracidade das informações. Este é o ponto que o distingue radicalmente de outros produtos midiáticos, como as ficções, os shows, a publicidade e propaganda. A legitimidade do discurso jornalístico se centra no fato de ele se referenciar na verdade. No caso de uma obra ficcional, isto não acontece: o autor da obra tem a liberdade de criar situações, personagens, tramas, assuntos, etc. Não há nenhuma exigência de fidelidade ao real. (KUCINSKY, 2001 e 2005).

O que está acontecendo? Em quem devemos acreditar?

Em alguns casos, pode até ser irrelevante saber a idade correta do cidadão que cometeu o crime, mas em outros, pode ser de vital importância. Talvez fosse melhor não passar a informação a transmiti-la erroneamente. Como leitora, espero poder confiar mais na imprensa araucariense.

Clique nas imagens para melhor visualização.

Por Angeline Suellen Pires

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