Se fôssemos utilizar a linguagem dos clichês, tão valorizada pelo O Popular do Paraná, diríamos que os índices alarmantes de violência em Araucária são a bola da vez dos noticiários da semana.
Sem nem entrar no mérito das coberturas sensacionalistas e retrógradas que banalizam a barbárie social em que nos encontramos, mais impressionante foi observar a saída à francesa encontrada pelo periódico para abordar a crise institucional de segurança pública na cidade: a frieza dos números.
Numa matéria extremamente oficialesca e de produção jornalística duvidosa, são 22 referências numéricas, espalhadas, e com interpretações pífias. Aliás, a única interpretação fornecida na matéria é uma projeção matemática de violência crescente que até uma criança de 10 anos faria usando regra de três.
Não discutir aspectos relevantes da segurança pública, não analisar fatores correlativos, entupir o noticiário de estatísticas é descompromisso editorial, conformismo e abordagem parcial do problema da segurança pública. É um viés que vê a cobertura policial dissociada de suas causas e enxerga nos números uma confortável ilha pra não se indispor com autoridades e simular repasse de informação ao leitor.
Há quem diga que isso é jornalismo.

Por Daniel Zanella