Um dos motes de O Popular do Paraná é a “linguagem do povão” estampada nas capas jorrando sangue e baixaria e nas páginas policiais pitorescas. Sob o contexto de suposta comunicação do dia-a-dia, informal e até chula, o publisher Carlos do Valle já afirmou diversas vezes que tal estratégia interna resulta em maior penetração da marca e melhor aceitação nas bancas. Não é mentira. A estratégia social-analítica do jornal busca atingir os leitores mais “simples” e ávidos consumidores do sensacionalismo habitual dos tempos de violência. Se em aspectos jornalísticos essa linha editorial é suspeita e de credibilidade duvidosa, já que o raciocínio povão=sensacionalismo não pára em pé e é, no mínimo, preconceituoso, indo contra o objetivo social de um veículo de comunicação, que é melhor informar, ainda mais curioso é observar o trabalho de prospecção de marca executado pelo periódico, que também investe nos leitores em formação, aqueles que ainda estão aprendendo a soletrar, a falar, mas que já podem ver no periódico a sua linguagem cotidiana estampada na capa.

Isso sim é planejamento a longo prazo.

 

Por Daniel Zanella