As páginas policiais dos jornais de Araucária são quase sempre um terreno recheado de bizarrices. A violência exacerbada nos crimes cometidos é deprimente, mas não estou falando exatamente disso. Na verdade, estou me referindo à forma como eles são descritos pelos redatores dos jornais. Na edição dessa sexta-feira, 25 de abril de 2008, do jornal Correio de Araucária, há uma compilação de clichês digna da tradição das coberturas jornalísticas locais. Com o duvidoso intuito de “usar a língua que o povo fala”, o jornal aposta numa série de gírias para aproximar o texto do seu público-alvo. Olha o resultado:
Por Sandi Luiz Bartnik Godinho.






27 Abril, 2008 às 9:37 pm |
“os maino e ais mina” de “buisão”( com fuindo musicail do criéu )até aí a geinte “inteinde”, mais por favoir escreivam ceirto o noime da “iscoila”, eila eira “fessoira” e o certo é Azuréa
30 Abril, 2008 às 9:31 am |
pessoal, achei um belo trabalho este blog. muito atento e rápido. agora, qto a linguagem, acho um pecado manchar a reputação com um post como esse. a língua é do povo, o povo tem q ter liberdade de tranformá-la, não há o q temer, sempre foi assim e sempre vai ser. o jornal q hj consegue utilizar essa linguagem no futuro vai ser considerado “vanguarda” ou coisa assim. além disso, simplificar linguagem para atingir um número maior de leitores é uma grnade sacada, é um jeito de aproximar o público. o problema não é a linguagem e sim a aramação q há dentro dos veículos.
grande abraço e bom trabalho
30 Abril, 2008 às 10:59 pm |
É nóis maanu!
Usar um ou outra gíria tudo bem! Mas o cara exagerou mesmo! Uma atrás da outra, o texto ficou virado em “aspas”, aí complica!
55 sempre!
30 Abril, 2008 às 11:32 pm |
Alexandre:
Concordamos com você que o povo tem que ter liberdade de transformar a língua. E isso é até um pouco óbvio.
Mesmo quando falamos sobre os “erros de português”, temos uma visão bastante lingüista a respeito. Nosso país é dono de uma imensa gama de variedades da Língua Portuguesa, cada uma delas perfeitamente válida em seu contexto e todas merecedoras de respeito.
Mas há o contexto. E este não nos permite, por exemplo, publicar textos esdrúxulos num jornal.
Os estudos sociolingüísticos e a flexibilização dos costumes da escrita permitem que o vocabulário gírio seja enfocado didaticamente. E aí vem a parte de se aproximar do público ou obter o efeito semântico desejado, mas essa ferramenta deve ser utilizada como uma opção a mais nos meios de comunicação e não a única.
O problema está nos exageros do jornal ao utilizar este recurso. Na ânsia de fazer sensacionalismo em cima da notícia, acaba empobrecendo-a. Note também que essas gírias só são encontradas nas páginas policiais.
Se a intenção do jornal é aproximar-se da linguagem falada pela população (e aceitando que essa seja a linguagem falada pela maioria), porque o jornal não utiliza esses mecanismos lingüísticos na edição toda?
Mas o ponto principal é o respeito. Se uma pessoa rica tivesse passado pelo acontecimento, a cobertura seria assim?
4 Maio, 2008 às 12:24 pm |
Sim, se uma pessoa rica tivesse passado pela situação seria a mesma. Inclusive, escrevi um editorial, há tempos atrás, criticando a atenção ao homicídio quando esse se passa com um empresário, por exemplo.
Quanto a escrever o jornal todo com o estilo aqui criticado, não vejo espaço para isso. Foi uma matéria apenas, como o faço em todas as edições.
Obrigado pela atenção com o texto. Ótimo ter pessoas de bagagem linguística para debater nossa produção. Cada dia está mais divertido esse blog.
abs a todos
10 Maio, 2008 às 7:36 pm |
mas escreva o neme da escola certo ta!!!!!!